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Espancado e abandonado, morte de servidor da Prefeitura chocou

Jovem foi indiciada por ter espancado Rodolfo; testemunhas, entre eles um amigo, omitiram socorro

27/12/2021 às 09h50 Atualizada em 27/12/2021 às 10h35
Por: Raul Site Félix Fonte: MIDIA NEWS
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O jovem Rodolfo Silva da Costa, que era servidor da Prefeitura e morreu após espancamento
O jovem Rodolfo Silva da Costa, que era servidor da Prefeitura e morreu após espancamento
DAVI VITTORAZZI
DA REDAÇÃO

O que era para ser uma noite de alegria com um amigo terminou com o espancamento e morte do jovem Rodolfo Silva da Costa, de 29 anos. Ele, que era servidor da Prefeitura de Cuiabá, sofreu a violência na sexta-feira, 31 de agosto e morreu três dias depois, internado no Hospital Municipal de Cuiabá.

O jovem foi encontrado desacordado e com graves ferimentos próximo a Universidade de Cuiabá (Unic), na Avenida Beira Rio, em Cuiabá. 

Sem ter informações sobre o paradeiro do filho, a mãe de Rodolfo, Geralda Mendes da Silva Costa, chegou a registrar um boletim de ocorrência de desaparecimento do filho.

Inicialmente, a hipótese era de que Rodolfo tinha sido vítima de homofobia. Porém, as investigações apontaram para outro tipo de desentendimento com uma mulher. Ela foi indiciada pelo crime. O caso ainda tramita na Justiça.

A mãe do jovem classificou à época o episódio como “bárbaro”, em entrevista ao MidiaNews. 

“O que aconteceu foi bárbaro, nunca esperei que fosse acontecer com meu filho, porque ele era uma pessoa que nunca procurou inimizade com ninguém”, disse Geralda.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, no dia 30 de agosto, Rodolfo saiu com um amigo para uma tabacaria no Bairro Jardim Europa. Lá, a vítima e o colega conversaram e beberam bebidas alcoólicas. 

Depois de um tempo, uma jovem de 18 anos chegou acompanhada de dois homens. O amigo de Rodolfo começou a flertar com essa garota. O colega pagou uma cerveja para ela e foi neste momento que teve início o desentendimento entre o servidor e a jovem.

À época, o delegado do caso, Anderson Veiga, contou que Rodolfo teria acusado a mulher de estar “se aproveitando” do amigo e ambos iniciaram uma discussão dentro da tabacaria. Para evitar a confusão no estabelecimento, o dono expulsou eles do local. 

As discussões continuaram do lado de fora do comércio. “O clima esquentou entre os dois e isso evoluiu para vias de fatos com socos, tapas e puxões de cabelo”, disse o delegado.

Eles chegaram a cair no chão durante as agressões e a jovem ficou por cima. Foi neste momento que ela disse ter batido a cabeça de Rodolfo várias vezes no chão para que ele a soltasse.

Não acreditamos na demora dos socorristas, mas na demora das pessoas responsáveis por notificar esse serviço de socorroO servidor chegou a conseguir se levantar, no entanto, depois de alguns segundos desmaiou e não acordou mais.

O episódio foi também marcado pela omissão de socorro dos amigos presentes. A investigação destacou que toda a briga foi presenciada pelo amigo de Rodolfo e pelos amigos da mulher. Ninguém tentou impedir as agressões.

Omissão de socorro

Após todas as agressões, o jovem foi abandonado pelo amigo e as demais testemunhas. Imagens registraram o garoto jogado próximo da calçada 

De acordo com os depoimentos, eles alegaram terem pensado que se tratava apenas de um caso de embriaguez, que o jovem estava dormindo. 

O amigo de Rodolfo afirmou à polícia que ouviu um ronco, justificando que ele estava dormindo. No entanto, o barulho poderia ser de uma dificuldade de respiração da vítima. 

Um segurança que estava próximo viu a briga e chamou a Polícia Militar, que compareceu no local. Os jovens porém disseram que já tinham resolvido a situação.  

Pessoas ficaram em volta do jovem, mas ninguém chamou o socorro. Até mesmo o amigo de Rodolfo, com quem ele saiu, pegou um Uber e deixou o amigo caído na rua.

 

“Não acreditamos na demora dos socorristas, mas na demora das pessoas responsáveis por notificar esse serviço de socorro", disse o delegado que investigou o caso.

 

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