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Preço do gás

Com alta no preço do gás, famílias voltam a cozinhar com lenha.

A reportagem também mostrou outros casos de famílias residentes em favelas e regiões pobres do Rio, que por não ter dinheiro

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16/04/2021 18h47Atualizado há 1 mês
Por: Raul Site Félix
Fonte: https://anovademocracia.com.br/
Famílias brasileiras recorrem ao fogão à lenha devido a alto preço do gás de cozinha. Foto: Reprodução
Famílias brasileiras recorrem ao fogão à lenha devido a alto preço do gás de cozinha. Foto: Reprodução

Famílias de regiões pobres e favelas do Rio de Janeiro e de São Paulo, tiveram que voltar a utilizar o fogão à lenha para cozinhar os alimentos. O motivo é o preço do botijão, que chega a custar 100 reais. Diante da crise econômica gigantesca que atinge o país, esses trabalhadores não conseguem comprar o gás, que atualmente custa o equivalente a 10% do salário mínimo.

Rio de Janeiro

Em uma reportagem do monopólio de imprensa TV Globo, no mês de abril de 2021, foi mostrada a realidade de algumas famílias que vivem na cidade de Mesquita, na Baixada Fluminense, região metropolitana do Rio de Janeiro.

Na entrevista, Marcelle Cristina Lopes, que é mãe de três filhos e está desempregada, contou que vive atualmente somente com o valor de R$ 300 mensais, dinheiro que sequer dá para alimentar a família. Neste cenário, o botijão de gás é substituído pelo velho fogão à lenha.

“É muito difícil. Às vezes é criança chorando, querendo as coisas e não ter é difícil. A minha pequenininha pede, você fala que não, e a criança não entende. Eu fiquei três meses sem gás. Quando acaba, a gente procura fazer na lenha. Pega tijolo, madeira e faz um fogão improvisado na lenha. Mas, quando tá chovendo, complica", relatou Marcelle.

A reportagem também mostrou outros casos de famílias residentes em favelas e regiões pobres do Rio, que por não ter dinheiro para comprar o básico para sobreviver, estão vivendo em condições de precariedade.

A reportagem mostrou ainda famílias com pouca renda estão passando por dificuldades para comprar o básico. Nas favelas e regiões mais pobres do Rio, muita gente está vivendo em situação de extrema precariedade.

“Há duas semanas, eu construí [o fogão a lenha]. Acabou o gás e não tinha como comprar porque o gás estava muito caro. Improvisamos esse fogão de lenha na chuva,", contou Maria Cristina.

Maria Cristina de Azevedo é casada com Genilson Pereira. Segundo o casal, já faz quinze dias que estão tendo que recorrer ao fogão à lenha por não terem dinheiro para comprar o botijão.

Genilson, que trabalha como auxiliar de serviços gerais, contou que a família também teve que abrir mão de vários alimentos básicos, também pelo alto custo dos mesmos.

"A gente compra pé de galinha, a gente compra ovo e pescoço, que é mais barato. Então, essas  coisas são mais baratas, mais em conta no mercado", disse Genilson.

São Paulo

Já em São Paulo, uma reportagem do monopólio de imprensa TV Bandeirantes, divulgada no dia 6 de abril de 2021, mostrou que também dentro da maior cidade do país, cada vez mais famílias recorrem ao fogão à lenha para cozinhar, devido ao alto preço do gás de cozinha.

“O gás sempre vai aumentando. E sempre eu ou meu marido desempregados, sem dinheiro para comprar o gás. Aí eu falei: vou fazer meu fogãozinho porque o gás fica só para a hora de precisão", relatou a dona de casa, Adilma Jesus Dias, que todo dia pela manhã pega o machado para cortar as madeiras usadas no fogão artesanal.

Adilma, que mora na zona sul de São Paulo, conta que construiu o fogão há dois meses, já que sua família não consegue mais comprar com facilidade o gás de cozinha.

Em Cajamar, também na grande São Paulo, Ana Paula Sá, é mais uma das milhões de brasileiras e brasileiros que recorreram ao fogão à lenha, por conta da crise dos últimos anos. A trabalhadora conta que utiliza o fogão a gás somente para alimentos de rápido cozimento, nos mais demorados utiliza o fogão à lenha.

"Quando eu tenho gás, eu faço o arroz, a mistura, as coisas aqui [no fogão] e o feijão eu faço na lenha, porque economiza bastante", explicou a mulher que está desempregada.

Ana e Adilma começaram a recorrer ao fogão de lenha só em 2020, quando a crise do capitalismo burocrático - capitalismo atrasado submetido ao domínio de grandes potências estrangeiras e assentado no latifúndio e na servidão -, foi agravada pela pandemia de Covid-19, o que tornou ainda mais dura a vida da grande massa de trabalhadores informais que habita as periferias brasileiras. Porém esse não é um fenômeno exatamente novo.

Entre 2016 e 2019, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou um aumento de quase 30% no número de famílias que usam lenha ou carvão para cozinhar. Há dois anos, uma em cada quatro famílias brasileiras usavam lenha em algum momento para fazer seus alimentos. No Sudeste, onde historicamente o uso de lenha é mais raro, o aumento foi ainda maior, mais de 60%. 

Com a pandemia e as restrições orçamentárias, como a suspensão da pesquisa do censo, o IBGE não divulga esses indicadores há quase dois anos. Por isso, esses números já não refletem a realidade de um país que passa por um acelerado processo de miséria. 

Adriana Gioda, professora de química da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), e uma das poucas pesquisadoras brasileiras dedicada a estudar o consumo de lenha nos lares do Brasil, diz que o uso de lenha ou carvão para cozinhar reflete o nível socioeconômico de uma sociedade.

“Se a gente pensar no Norte e Nordeste, o Nordeste é a região que mais usa lenha. Porque ela está associada ao nível socioeconômico. Então, isso na verdade é uma métrica mundial. Quanto mais se usa lenha, mostra que o povo tem menos acesso, menos condições econômicas de buscar um outro combustível mais limpo, menos poluidor, menos tóxico. Então isso é uma métrica mundial que a organização mundial da saúde usa”, analisou a professora. 

Na mesma linha, Deraldo Silva, coordenador da Central Única de Favelas (Cufa), conta que nas favelas de grandes cidades brasileiras cada vez é mais comum cenas de uma panela sobre uma fogueira improvisada.

“A gente percebeu que esse número é grande. São muitas pessoas que estão cozinhando a lenha. Porque elas acabam cozinhando lá, no cantinho delas, acaba não expondo essa demanda. E a gente percebeu esse aumento”, atestou Deraldo Silva.

A questão do alto preço do gás de cozinha também é resultado da nova política de preços da Petrobras, que sob o nome de Preço Paritário de Importação (PPI), vincula o petróleo produzido no Brasil à cotação em dólar e à taxa de câmbio. Ou seja, o preço do barril no Brasil não corresponde à própria inflação no país, mas aos preços internacionais. Isso valoriza a exportação de petróleo cru e desloca o mercado para o combustível importado a despeito do combustível refinado produzido no país. Todavia, a flutuação no preço que implica a dolarização vem resultando no aumento do preço do combustível e do gás de cozinha, o que afeta a economia como um todo

Caso de Maria Aparecida Corrêa, moradora de uma comunidade de Praia Grande, na Baixada Santista, em São Paulo. “Tem que lavar as panelas, fica preta, tem que ariar. Os vizinhos também não gostam, muita fumaça, mas tá precisando daquilo, né? Tem que cozinhar, como vai fazer a comida? A fumaça vai pra cima, as telhas ficam todas pretas. Tudo isso acontece”, explicou Maria sobre a fumaça que polui todo o ambiente e prejudica a saúde das pessoas que moram com ela e dos vizinhos, porém a trabalhadora diz não ter outra opção.

Maria Aparecida trabalha com reciclagem, como a maioria das pessoas da comunidade. Ela conta que em um bom mês consegue fazer entre R$ 800 e R$ 1.000. Com o botijão de gás chegando a R$ 100, usa o fogão de casa apenas para coisas simples. A proletária conta que adicionou à rotina a tarefa de encontrar madeira para cozinhar, procurando em caçambas com restos de obras de construção, por exemplo. 

Maria Aparecida relata que toda vez que acende o fogo lembra de sua infância no campo, tempo em que sonhava em vir para a cidade grande em busca de conforto e oportunidade

“Quando meu pai falava assim 'vai lá pra cidade que lá tem tudo, a gente vai para cidade grande, vai abandonar as coisas na roça aqui. E lá vai ter de tudo’. E pelo que eu tô aqui na cidade grande, há um tempão já, não é aquilo não”, relembrou, para depois completar: "Acho que tô na roça de novo, tô lá no sertão. Foi esse meu pensamento”, relatou Maria.

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