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VOLTA ÀS AULAS

“Defendo que professores estejam entre os primeiros vacinados”

MT quer retomar aulas presenciais em fevereiro de 2021, mas 2ª onda da Covid pode mudar planos

Raul Site Félix

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21/12/2020 17h54
Por: Raul Site Félix
Fonte: www.jornalmt.com.br | www.anoiteafora.com.br

 educação é um dos setores que teve a rotina fortemente afetada pela pandemia da Covid-19. Com o fechamento das instituições de ensino, toda a dinâmica de aulas, exercícios e avaliações teve de ser repassada ao ambiente virtual. Em Mato Grosso, porém, muitos alunos sequer tem acesso à internet.

 

Em entrevista ao MidiaNews, o secretário de Estado de Educação, Alan do Porto afirmou que o principal desafio do próximo ano será recuperar a aprendizagem dos estudantes.

 

As aulas presenciais na rede estadual de ensino em Mato Grosso estão previstas para serem retomadas em fevereiro de 2021. Para tanto, Alan defendeu que os professores e funcionários escolares integrem o grupo prioritário para vacinação no Brasil contra o coronavírus.

 

Agora, em 2021, nosso desafio é recuperar a aprendizagem dos alunos que, infelizmente, nesse momento de pandemia ficou defasada

“Não dá para a gente protelar essa situação, até porque as escolas precisam retomar as suas atividades”, afirmou.

 

Na entrevista, ele ainda falou sobre os redimensionamentos nas escolas, que geraram bastante polêmica, principalmente em Várzea Grande. Comentou, também, sobre o investimento de R$ 936 milhões na área através do programa Mais MT.

 

Leia os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews - Pelo que o senhor viu durante a pandemia, o ensino virtual é capaz de substituir completamente o presencial ou isso é impossível?

 

Alan Porto – Não. O ensino virtual não é capaz de substituir o presencial. A gente não esperava passar por esse momento de pandemia que assola o mundo, o País e o Estado de Mato Grosso. Criamos alternativas, como plataformas digitais. Apenas 45% dos alunos tinha acesso a internet. Os outros 55% que não tinha, estudaram através de apostila. Mas não foi suficiente.

 

Agora, em 2021, nosso desafio é recuperar a aprendizagem dos alunos que, infelizmente, nesse momento de pandemia ficou defasada. Estamos trabalhando muito forte com a nossa equipe pedagógica, dando todas as condições, as ferramentas para retornar as aulas no dia 1º de fevereiro focado na recuperação da aprendizagem. E, para isso, vamos ter um laboratório de aprendizagem. Vamos ter aulas de reforço no contra turno, tanto para alunos dos anos iniciais quanto para alunos dos anos finais. Vão ter professores por cada segmento.

 

MidiaNews – O senhor citou o início do ano letivo de 2021 em fevereiro, com aulas presenciais. Mas os casos de coronavírus dispararam no Brasil e dão sinais de crescimento em Mato Grosso. Diante deste cenário de incertezas, admite que este calendário pode ser revisto?

 

Alan Porto – O nosso planejamento é para retomar as aulas a partir do dia 1º de fevereiro no sistema hídrico, presencial e não presencial, respeitando todos os protocolos de segurança de biossegurança. As escolas, inclusive, já receberam recursos para comprarem os materiais e equiparem as suas escolas. A gente sabe que os casos estão aumentando agora em dezembro. Estamos atentos a isso, mas essa curva é muito dinâmica. Em janeiro pode começar a cair. Estamos observando esses números. Se tiver aumentando muito, vamos avaliar com os técnicos da vigilância da Secretaria de Saúde e verificar se é possível retomar as aulas no sistema presencial em fevereiro. Caso não seja possível, as aulas serão retomadas no sistema não presencial. Estamos preparados para as duas formas.

 

MidiaNews – Em caso de retomada das aulas presenciais em fevereiro, a rede pública está preparada para oferecer equipamentos e produtos como álcool para atender toda a demanda?

 

 nosso planejamento é para retomar as aulas a partir do dia 1º de fevereiro no sistema hídrico, presencial e não presencial

Alan Porto – Com certeza. Repassamos mais de R$ 3,5 milhões para todas as 659 escolas do Estado para compra de álcool em gel, máscara, materiais para fazer limpeza, equipamentos como termômetro, tudo. A Secretaria de Educação está dando todo suporte. Vamos produzir cartilhas para orientar os alunos, os professores, todo o corpo escolar de como proceder.

 

MidiaNews - Pela sua percepção como secretário, qual é a vontade dos pais de alunos na rede estadual neste momento: voltar às aulas presenciais ou ficar como está?

 

Alan Porto – A gente fez uma pesquisa esse ano e 65% dos pais disseram que não gostaria de retornar as aulas presenciais esse ano. Por isso, tomamos uma decisão no ano de 2020 de manter as aulas no sistema não presencial. Em janeiro, iremos fazer uma nova pesquisa com pais, com professores, com toda nossa rede para medirmos a opinião de todos.

 

MidiaNews -  A pneumologista da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, defendeu nesta semana que professores e funcionários das escolas integrem o grupo prioritário para vacinação no Brasil, a fim de apressar o retorno às aulas. O senhor também é favorável?

 

Alan Porto – Defendo 100% que os nossos professores também sejam os primeiros a ser vacinados. Não dá para a gente protelar essa situação, até porque as escolas precisam retomar as suas atividades.

 

MidiaNews - O Governo do Estado está tentando adquirir 500 mil doses de vacinas. Caso consiga, vai defender que professores e funcionários de escolas sejam vacinados já?

 

Alan Porto – Com toda certeza irei defender isso.

 

MidiaNews – Já conversou sobre isso com o governador Mauro Mendes?

 

Alan Porto – Ainda não. Eu retomei nesta semana as minhas atividades presenciais [o secretário foi testado positivo para o coronavírus]. Mas irei falar com ele, sem dúvida.

 

MidiaNews - Nesta semana, o Ministério Público Estadual (MPE) informou que enviou ao senhor e ao governador Mauro Mendes duas notificações. Uma pedindo a revogação do decreto 723/2020 que, em tese, reduz a oferta de vagas nas séries iniciais do ensino fundamental e a outra, pedindo a suspensão de fechamento das escolas estaduais. Já recebeu estas notificações? O que pretende fazer?

 

Defendo 100% que os nossos professores também sejam os primeiros a ser vacinados. Não dá para a gente protelar essa situação

Alan Porto -  Com relação ao decreto, ele não fala que os municípios tem que assumir de imediato o 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Ele tem um cronograma até 2027. Mas, caso os municípios não tenham condições de abrir matrículas do 1º ao 5º ano, por questão de infraestrutura, pessoal, o Estado vai dar todo suporte. Nenhum aluno será prejudicado. 

 

Hoje, temos 75 mil alunos dos anos iniciais. Os municípios atendem 50 mil alunos dos anos finais, que é do 6º ao 9º. O que nós queremos fazer é redimensionamento. O Estado atender os anos finais que os municípios estão atendendo e os municípios atenderem os anos iniciais.

 

MidiaNews - Por que foi necessário tomar esta medida?

 

Alan do Porto – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a Constituição já preveem isso. Que os municípios e o Estado trabalhem em regime de colaboração, sendo os municípios atendendo da creche, do ensino infantil e dos anos iniciais e o Estado, atendendo os alunos dos anos finais e do ensino médio. Estamos cumprindo a LDB e a Constituição e, claro, com todo suporte. O Estado não vai simplesmente virar as costas para os municípios. Vamos dar todo apoio técnico e apoio financeiro para o município ter condições de ofertar uma educação de qualidade para os nossos alunos.

 

MidiaNews - Não acha que o Governo errou na comunicação desta medida?

 

Alan do Porto  - Não. A gente já vem conversando com a comunidade escolar, com o sindicato dos professores. O Estado, desde 2019, no início da gestão do governador Mauro Mendes, já vem fazendo esse trabalho de municipalização. Os municípios já vêm assumindo os anos iniciais. Essa política de redimensionamento é antiga. Já vem acontecendo há muitos anos na Seduc.

 

MidiaNews – E com relação ao pedido de suspensão dos fechamentos das escolas estaduais?

 

Alan Porto – Nós tomamos essa decisão de redimensionamento para melhorar a qualidade da educação do nosso Estado. Por exemplo, em Nova Marilândia tem uma escola com 137 alunos que atende no ensino fundamental apenas no período vespertino e outra escola, que também atende só no vespertino. O que nós estamos fazendo é otimizando e tirando esses espaços ociosos da rede. Em Barra do Bugre a mesma coisa. A Escola Estadual José Orides, que está a 200 metros da Escola Estadual Julio Muller, tem 157 alunos. A escola não vai fechar. O Município vai fazer a atendimento dos anos iniciais. Nós vamos ceder a estrutura física para eles. Aqui em Cuiabá, nós temos a Escola Estadual Newton Alfredo, com 87 alunos. Um espaço locado, que não tem condição de infraestrutura. Os alunos serão atendimentos pela Escola Estadual Benedito de Carvalho. Assim como em outras escolas.

 

Então, essas decisões que estamos tomando é para otimizar a rede. É uma reorganização para melhorar e dar uma condição de qualidade que a educação precisa. Ninguém está tomando nenhuma decisão sem o critério técnico. Sem estudo, sem viabilidade. Vamos continuar tomando essas decisões que visam melhorar a qualidade do ensino no nosso Estado.  

 

Divulgação

Alan Porto

"Todas as decisões que estamos tomando é para otimizar a rede educacional"

MidiaNews - As novas medidas para a Educação de MT, como reordenamento das escolas e sistema estruturado de ensino, são factíveis e vão melhorar a aprendizagem?

 

Alan Porto – Não tenha dúvida. Nenhum aluno e nenhum professor terá prejuízo. Os alunos irão para as unidades mais próximas, com Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] melhor. Os professores serão atribuídos nessas novas unidades. Eu não tenho dúvida de que a aprendizagem dos nossos alunos vão melhorar. 

 

MidiaNews - Por que o senhor tem convicção disso?

 

Alan do Porto – Pelos números. Escolas como a Demétrio e Dunga, em Várzea Grande, tem um Ideb melhor e uma gestão melhor que a Hernandy Baracat. Então, se você tem uma gestão melhor e os números do Ideb melhores, consequentemente, os alunos vão ter um melhor aproveitamento na aprendizagem.

 

MidiaNews - No ano passado, o governador Mauro Mendes interrompeu o pagamento da lei da dobra do salário dos professores. O senhor tem sido cobrado pelos professores a respeito desta lei?

 

Alan do Porto – Nós temos uma Lei de Responsabilidade Fiscal onde diz que o Estado não está cumprindo o limite prudencial, de 49%. Não foi pago por esse motivo. Inclusive, em 2019, teve greve. Nós fizemos uma reunião de conciliação com o Tribunal de Justiça e ficou acordado nessa reunião que quando o Estado atingir o limite prudencial, que é os 49%, o que tiver de valor de diferença, 75% será para pagamento de RGA e os outros 25% para pagamento das leis de carreira.

 

Até o momento o Estado não atingiu esse limite prudencial e estamos cumprindo o acordo que foi feito. É claro que o sindicato, professores cobram, mas não iremos descumprir o que foi acordado no Tribunal de Justiça. Para isso, o Estado tem que ter as condições orçamentárias para pagar. O Estado tem melhorado as suas contas e acredito que no ano que vem possa chegar ao limite prudencial.

 

MidiaNews - O programa Mais MT está prevendo R$ 936 milhões em investimentos na Educação nos próximos anos. Dá para dizer que esse recurso poderá levar a Educação a um novo patamar?

 

Alan Porto - Sem dúvida. Quando a gente olha para os últimos seis anos, a Secretaria de Educação tem um orçamento de pouco mais de R$ 3 bilhões e 89% desse orçamento é para pagamento de folha salarial. O restante é para despesa de custeio, transporte escolar, alimentação, pagamento de energia, água. Então, o Estado estava sem capacidade de investimento. Com a política que o governador Mauro Mendes teve desde o início da gestão, de equilibrar as contas, vamos conseguir a partir de 2021 fazer grandes investimentos na Educação do nosso Estado.

 

MidiaNews - Mas fala-se muito em obras, climatização, que são coisas necessárias. Mas e o aspecto pedagógico? Não acha que é preciso fazer investimentos que levem a um desempenho melhor dos estudantes?

 

Não tenho dúvida de que, com esses investimentos, vamos dar um salto na parte pedagógica e tecnológica em Mato Grosso

Alan Porto – O principal investimento será no sistema estruturado de ensino. É muito bom a gente deixar claro que sistema estruturado de ensino não é somente material pedagógico. Muita gente está confundindo com PNLD [Programa Nacional do Livro e do Material Didático]. PNLD é material didático que é disponibilizado ao Estado. O sistema estruturado de ensino é uma solução educacional. É material didático de qualidade, os mesmos que tem nas escolas particulares. É um material que cada aluno vai receber, uma apostila a cada bimestre. O PNLD é um livro que recebe que é utilizado por três anos. Não é individual, não leva para casa. Ele é compartilhado durante três anos.

 

Então, o material didático do sistema estruturado é do aluno. Ele pode levar para casa dele. Resolver os exercícios em conjunto com os pais. Tirar dúvidas. Além do material didático, teremos uma plataforma digital com vídeo aula, gamificação. Teremos, também, um sistema de avaliação permanente a cada bimestre. Isso vai acontecer com todos os nossos alunos, tanto dos anos iniciais, finais e ensino médio.

 

É uma solução educacional que não tenho dúvida que vai gerar um grande resultado para a nossa educação no Estado.

 

Isso leva em consideração a formação continuada dos nossos professores. A gente sabe que para melhorar os índices da educação a gente precisa que o nosso professor tenha pratica pedagógica. Então, esse material também virá para o professor, com roteiro pedagógico, com todo plano de aula, orientações de como o professor tem que se comportar dentro de sala de aula, como ele vai ministrar a aula dele com excelência. Na parte tecnológica, nós estamos fazendo aquisição de notebooks para os nossos professores e chromebook, que são aqueles computadores portáteis para os nossos alunos. Serão 40 mil chromebook.

 

Não tenho dúvida de que, com esses investimentos, vamos dar um salto na parte pedagógica e tecnológica em Mato Grosso. Em dois anos, já estaremos colhendo bons resultados na nossa educação e vamos superar esse momento ruim que a gente vem passando.

 

MidiaNews - Em muitos países onde a educação é avançada, professores são premiados pelo desempenho de seus alunos. É a favor de se instituir prêmios em dinheiro para professores que se saem melhor no ensino a seus alunos?

 

Alan do Porto – Com certeza. Não só para o professor, mas também para a escola.  Estamos pensando, sim, em ter um instrumento, uma lei oficial para a gente premiar os nossos professores, as escolas.

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