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Bombeiros: rede elétrica é responsável por 90% dos incêndios

A maior causa de incêndios em imóveis comerciais se inicia a partir de panes elétricas, representando 90% das causas, de acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros Bruno Vilas Boas, chefe da seção administrativa.

Raul Site Félix

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13/12/2020 18h31
Por: Raul Site Félix
Fonte: www.jornalmt.com.br | www.anoiteafora.com.br

A maior causa de incêndios em imóveis comerciais se inicia a partir de panes elétricas, representando 90% das causas, de acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros Bruno Vilas Boas, chefe da seção administrativa.

 

Em menos de uma semana, dois incêndios de grandes proporções atingiram lojas em Cuiabá. O primeiro ocorreu na atacadista Realmat, localizada no Bairro Porto, no dia 5 de dezembro.

 

Na ocasião, o fogo se alastrou para a loja de bicicletas Ciclo Ribeiro e uma casa lotérica ao lado.

 

Na madrugada de quinta-feira (10), as lojas Dia de Festa e Speed Pneus, na Avenida Fernando Corrêa, em frente à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), também sofreram com um grande incêndio.

 

Vilas Boas explica que a maioria dos incêndios começa na parte elétrica por falta de manutenção ou imprudência.

 

“Pode ser falta de manutenção da rede elétrica, uso indevido de equipamentos elétricos causando sobrecarga na rede, equipamento que está sem manutenção, como um ar condicionado”, afirma o militar.

 

Conforme o tenente, a possibilidade de ambos os incêndios terem iniciado na parte elétrica é grande. No entanto, ele reforça que somente a perícia pode apontar de fato a origem das chamas.

 

“A probabilidade é grande. Mas só depois que a perícia for concluída que a gente vai poder confirmar. Existe essa possibilidade tendo em vista, estatisticamente, ser a causa mais comum”.

 

O tenente também faz um alerta para quem estoca álcool em casa ou na empresa, visto que se tornou uma prática mais comum com a pandemia de coronavírus.

 

“Ele não vai contribuir diretamente para gerar o incêndio. Mas caso aconteça o incêndio, ele vai ser um combustível. Caso inicie um incêndio e no local tenha armazenado esse tipo de material, ele vai potencializar”, pontua.

 

Para evitar, o militar explica que é necessário se atentar ao armazenamento correto do produto.

 

Em entrevista ao MidiaNews nesta semana, Vilas Boas também falou sobre o trabalho preventivo do Corpo de Bombeiros e a importância do alvará contra incêndios.

 

Confira os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews - O Corpo de Bombeiros está bem equipado para atuar nestas ocorrências de grande porte?

 

Tenente Bruno Vilas Boas - Nosso serviço é baseado em duas grandes frentes. Tem a parte de prevenção, mas nem sempre vai se prevenir tudo, e tem a parte de atendimento da ocorrência, trabalhar no combate ao incêndio.

 

Nós temos os equipamentos, temos as viaturas de combate a incêndio, temos um caminhão tanque de 30 mil litros de água que serve para fazer o abastecimento das viaturas, apesar de já terem uma reserva. Temos equipes distribuídas em quatro pontos de Cuiabá. Condições a gente tem sim. Tanto que conseguimos fazer todo o controle. É bom esclarecer que o momento para o incêndio ser completamente extinguido é na parte inicial, no princípio. Depois que ele toma certa proporção, o trabalho é de conter, não deixar ele se espalhar para outros locais. Não vai ter quantidade de água, equipamento, que vai conseguir apagar em uma condição em que ele fica incontrolável. Qualquer combate a incêndio é dessa forma. Foi o que aconteceu nesses casos.

 

MidiaNews - No incêndio da Realmat dois bombeiros foram atingidos no desabamento do prédio e outro se intoxicou. Em que momento os bombeiros entendem que uma edificação vai ruir em razão de um incêndio?

 

Tenente Bruno Vilas Boas - Tanto na ocorrência quanto na prevenção, nosso objetivo primário é a proteção da vida. Primeiro é saber se tem vítima, se tiver, fazer o resgate, e em segundo momento é a parte de patrimônio. Nos dois casos, não tivemos vítimas, então era mais a questão do patrimônio. Aí o bombeiro vai fazer o combate em uma condição de segurança e tem que avaliar a cena, verificar se tem as condições de segurança. A gente faz o combate pela parte externa porque a partir do momento em que chega a certa temperatura dentro da edificação que está sendo consumida pelo fogo, a estrutura perde toda a resistência e fica com o risco de colapsar. Depois que concluído o trabalho de combate, tem que ter avaliação do próprio proprietário, por meio de contratação de profissional, ou da Defesa Civil. O fogo compromete todo o elemento de sustentação dependendo da temperatura que chega.

 

MidiaNews - Qual é a recomendação do Corpo de Bombeiros quando alguém percebe um incêndio na empresa? Até em que momento a pessoa deve combater as chamas e quando é a hora de chamar os bombeiros?

 

Tenente Bruno Vilas Boas - A primeira coisa a ser feita é chamar os bombeiros. O início do incêndio pode ser combatido, mas tem que ter uma pessoa que tem um treinamento. A gente realiza esse treinamento com os ocupantes da edificação, que são chamados de brigadistas. Eles recebem treinamento desse combate do princípio de incêndio, que é utilizando o extintor mesmo. Se a pessoa tiver o treinamento, deve utilizar esses equipamentos. Mas, ao ver que não está surtindo efeito, tem que evacuar a edificação e aguardar o atendimento especializado dos bombeiros.

 

MidiaNews - Quais são as principais causas de incêndios em prédios comerciais e quais as principais causas em residências?

 

Tenente Bruno Vilas Boas - O incêndio em comércio a principal causa, estatisticamente, é questão elétrica. Pode ser falta de manutenção da rede elétrica, uso indevido de equipamentos elétricos causando sobrecarga na rede, equipamento que está sem manutenção, como um ar condicionado que quase não fazem manutenção preventiva. Todo material tem um tempo de uso e tem que ser feita a manutenção. Se não faz, está colocando em risco a edificação. Essa causa representa mais de 90% das ocorrências de incêndio nesse tipo de edificação.

 

Em residências a gente tem casos de mangueira de botijão vencida, que pode estourar quando se está cozinhando, causando um incêndio, ou criança próximo de elementos que produzem fogo, como fósforo, vela. Em casa é mais variado. A parte elétrica é mais comercial mesmo.

 

MidiaNews - Muitas empresas e residências estão com estoques de álcool em razão da pandemia. Isso pode estar contribuindo para estes grandes incêndios que ocorreram nestes últimos dias?

 

Tenente Bruno Vilas Boas - Ele não vai contribuir diretamente para gerar o incêndio. Mas caso aconteça o incêndio, ele vai ser um combustível. Caso inicie um incêndio e no local tenha armazenado esse tipo de material, ele vai potencializar o fogo.

 

MidiaNews - Que dicas o senhor dá para quem está estocando álcool em casa ou na empresa?

 

Tenente Bruno Vilas Boas - A gente recomenda sempre fazer o armazenamento correto e adequado. Mesmo que provisoriamente for armazenar esse tipo de produto, que seja em local que tenha ventilação, que não esteja próximo de materiais que possam produzir faísca. Fazendo a estocagem adequada, não vai ter problema.

 

MidiaNews - Nos dois casos, os incêndios começaram durante a noite, ou seja, quando não havia ninguém no prédio. Isso pode ser um sinal de que tenha ocorrido algo na parte elétrica?

 

Tenente Bruno Vilas Boas - A probabilidade é grande. Mas só depois que a perícia for concluída que a gente vai poder confirmar. Existe essa possibilidade tendo em vista, estatisticamente, ser a causa mais comum. Mas podem ter sido outros fatores também.

 

MidiaNews - Como é o procedimento para adquirir esse documento?

 

Tenente Bruno Vilas Boas - Toda edificação tem que ter o alvará do Corpo de Bombeiros. O alvará é o documento que vai certificar que a edificação atendeu aos critérios de segurança estabelecidos pela legislação. Hoje temos duas formas, uma que é simplificada e aplicada para edificações que tenham um risco considerado baixo, por exemplo, um escritório que tem até 200 metros quadrados. Esse tipo de edificação tem uma regularização mais facilitada. Edificações maiores precisam ter essa regularização mais completa. Precisam de um projeto aprovado que tem que ser feito por um profissional habilitado. Depois de aprovado no Corpo de Bombeiros, essa edificação passa por uma vistoria e só depois de liberado na vistoria que ele recebe o alvará. O alvará em si também não vai garantir que não possa acontecer uma ocorrência. Uma vez emitido o alvará, cabe ao responsável que vai utilizar a edificação manter as mesmas condições de uso para que não aconteça. É uma manutenção e vigilância constante.

 

MidiaNews - Na Realmat, o Corpo de Bombeiros identificou algumas irregularidades que precisavam ser adequadas para a liberação do alvará. Quais foram essas irregularidades?

 

Tenente Bruno Vilas Boas - O que levantamos aqui aponta que na última vistoria que foi feita, grande parte das irregularidades eram apenas de manutenção. A gente pede documentação da pessoa que foi responsável por fazer essa manutenção. Mas eles estavam com pendência nessa parte documental. Os preventivos tinham, medidas de segurança existiam, faltava só essa documentação dos profissionais que fizeram a manutenção.

 

MidiaNews -  Aquela empresa que não possui o alvará está sujeita a que penalidades?

 

Tenente Bruno Vilas Boas - A edificação que está sem alvará deve procurar obtê-lo. O Corpo de Bombeiros possui o poder de notificar, multar ou até interditar. Os casos que são mais graves, algo que ofereça um risco iminente à vida, poderão ser interditados pelo Corpo de Bombeiros. Vai depender do tipo de problema que pode haver na edificação.

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